segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Em breve NOVIDADES!

Boa tarde!

Estive ausente por alguns meses e não consegui atualizar o Voz e Fonoaudiologia.
Em breve postarei novos tópicos para compartilharmos nosso conhecimento e esclarecermos nossas dúvidas.
Meu contato continua o mesmo: fernandalopes.fono@yahoo.com.br para aqueles que desejarem
conversar comigo.

Obrigada,

segunda-feira, 14 de junho de 2010

ARTICULAÇÃO Parte I - Voz Falada

Dando continuidade as postagens sobre o funcionamento do aparelho fonador, falarei um pouco sobre ARTICULAÇÃO.

Qual a semelhança entre a figura ao lado e a nossa ARTICULAÇÃO?

De um modo simples, podemos afirmar que a articulação é responsável pela "moldagem" dos sons que produzimos. É ela que dará "forma" a cada som  depois de amplificado pelos nossos ressonadores. (Veja mais em: Ressonância na Voz Falada)


Os diversos sons da língua são produzidos pelas cavidades acima da laringe. Os sons são moldados através de movimentos precisos de língua, lábios e mandíbula. A articulação deve ser precisa para que as palavras sejam inteligíveis. Os movimentos articulatórios são definidos pela língua utilizada, porém o padrão de articulação sofre influência de fatores emocionais do discurso.

A articulação propicia, além da inteligibilidade da mensagem, um equilíbrio da ressonância vocal. Uma articulação ampla contribui para o equilíbrio das pressões supra e infraglóticas, obtendo uma voz com projeção sem esforço vocal. Como já mencionei inúmeras vezes, TUDO ESTÁ INTERLIGADO, se há um déficit em qualquer das "partes" do aparelho fonador, certamente, o comprometimento será no todo.
Podemos então definir Articulação do som como a passagem do fluxo de ar por algumas estruturas móveis, que podem impedir, bloquear, canalizar ou moldar o som. As estruturas articulatórias para fala são: lábios, bochechas, palato duro, dentes, crista alveolar e palato mole.
 

Classificação da ARTICULAÇÃO na
Voz Falada
Podemos classificar os tipos de articulação na voz falada em 3 categorias:

- Articulação precisa (é aquela adequada para nossa fala, bem aceita socialmente, há um equilíbrio em todas as estruturas envolvidas)
- Articulação imprecisa (não há muito movimento dos lábios e os dentes ficam praticamente ocluídos, geralmente é acompanhada de loudness diminuido, ou seja, volume baixo)
- Articulação exagerada (o indivíduo faz um esforço desnecessário e há excesso de movimentos da língua, lábios e na abertura da boca).

terça-feira, 23 de março de 2010

Voz para o Call Center

Hoje o assunto é simples e direto! Depois de conversar com alguns amigos que trabalham nessa profissão (operadores de telemarketing), resolvi postar alguns tópicos sobre o tema.

Em um Call Center é exigência comum um atendimento com prontidão, cordialidade, que solucione dúvidas  e/ou necessidades a partir do domínio de informações e conceitos referentes àquela operação. É fundamental criar uma imagem vocal positiva para fidelizar e atender o cliente. Parte da desta boa imagem é a expressividade e motivação ao falar.

A voz ideal deve estar relacionada aos produtos e serviços disponibilizados pela empresa. Por exemplo, para uma central que atenda basicamente reclamações, precisa-se de vozes que transmitam disponibilidade, compreensão, tranquilidade para receber todas aquelas informações pesadas e quem possam, em um segundo momento, transmitir preocupação e ao mesmo tempo firmeza para o cliente.

Em contrapartida, temos a voz robotizada, que não permite interação, não transparece emoção, que parece padrão para qualquer pessoa que entrar em contato com a central ou para qualquer situação de atendimento como esclarecimentos de dúvidas, reclamações, elogios ou sugestões.

O fato é que atualmente, é exigido um atendimento personalizado a cada cliente, chamá-lo pelo nome e conhecer dados de outros contatos dele com a empresa são fundamentais para isso.

Voz para o Profissional de Atendimento

De maneira geral, a voz para o atendimento necessita de boa qualidade vocal, velocidade moderada para elevada para demonstrar agilidade e disponibilidade, loudness (intensidade) moderado para elevado para facilitar inteligibilidade, articulação precisa sem omissões de sons, entonação que demonstre credibilidade, disponibilidade e simpatia e que dê ênfase às principais palavras, resistência vocal e pausas breves.



Segundo estudiosos, gentileza, otimismo, paciência, atenção, credibilidade, disponibilidade, qualidade vocal sem marcadores específicos e voz sem rouquidão são caracteristicas para um operador de telemarketing.Porém, não basta ter uma boa voz. Erros de fala, vocabulário ou expressões inadequadas, linguagem pobre para situações de argumentação ou persuasão comprometem a imagem da voz. É necessário uma linguagem rica, criativa, organizada e esclarecedora, além de uma fala que transmita clareza e não incorra em omissões, distorções ou substituições de sons.

A voz para um profissional de atendimento deve ser saudável, este deve manter o bem-estar e conforto durante a sua jornada de trabalho e nos demais momentos da sua vida.

*Extraído do Tratado de fonoaudiologia -Voz na empresa 

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

RESSONÂNCIA Parte II - Voz Cantada

Aí está um assunto que particularmente gosto muito de estudar, entender e experimentar!

Ao longo dos anos de estudo, pude perceber que a medida que há uma base teórica junto a prática do canto, um entendimento sobre fisiologia, a exploração na arte de cantar torna-se muito mais prazerosa e rica.

Quando entendemos o funcionamento da nossa voz, as combinações que podemos fazer tornam-se infinitas e imensuráveis... Não dá para explicar, apenas perceber, ouvir...

Relembrando...
Como vimos no último post (Ressonância Parte I - Voz Falada), a ressonância é responsável pela amplificação do som que é produzido na laringe. Entretanto, quando nos referimos à ARTE DO CANTO temos algo a mais para nos aprofundar.

As diferenças entre a Voz Falada e a Cantada são imensas e isso é algo que me motiva a buscar mais conhecimento. Falando sobre ressonância na voz falada, se uma pessoa possue algum desequilíbrio entre os focos (como vimos anteriormente), isso pode não ser bem aceito pela sociedade, o que leva muitas vezes o indivíduo procurar um profissional para ajudá-lo.

Porém, quando nos referimos ao CANTO, estamos falando de arte, de emoções, sentimentos, idéias, expressão, personalidade...  Com a apropriação das técnicas adequadas podemos fazer inúmeras variações no timbre sem que isso seja um problema, aliás, muito pelo contrário,  essas variações são as responsáveis pelo colorido do timbre.

Portanto, se há fatores na voz falada que não são aceitos, na voz cantada eles podem se transformar em técnicas, em arte!

 Focos de RESSONÂNCIA na Voz Cantada

Ainda não há uma nomenclatura universal para os diferentes focos de ressonância no canto, os professores de canto e fonoaudiólogos especialistas nessa área utilizam variados termos para se fazer entender: voz coberta, voz metálica, voz com brilho, voz escura, caixa alta, caixa baixa, enfim.

Recentemente participei de uma aula com a Dra.Silvia Pinho, e uma das coisas que ela mencinou foi exatamente isso, precisamos falar uma mesma linguagem.


Vou utilizar os termos Ressonância Coberta e Ressonância Metálica. Para entendermos melhor, vamos dividir nossa cabeça em dois pilares, um para ressonância coberta /n/ e o outro para ressonância metálica /m/, conforme a figura ao lado.

Se prolongarmos o som do /n/, iremos perceber que ele está focado exatamente onde mostra a figura, na parte superior da máscara e o resultado é um som mais coberto, com mais brilho.

Se prolongarmos o som do /m/, iremos perceber que o foco de ressonância abaixou, e o resultado foi um som mais metálico.

Dica: Alternando os fonemas /n/ e /m/ em uma mesma pronúncia, fica mais perceptível a mudança do foco.


Existem cantores que fazem uma excelente variação entre focos, o que deixa a música bem mais rica em termos de técnica, outros seguem um padrão mais coberto ou mais metálico.

Há cantores ainda que se utilizam de técnicas de ressonância com sons nasais e com sons guturais (drive e/ou grow - técnica utilizada na black music).
Como disse anteriormente, na arte do canto, desde que haja um domínio da técnica, tudo é permitido. O que vale é a criatividade nas variações e o famoso "feeling", para saber onde exatamente colocar a "cerejinha da taça sorvete"!

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

RESSONÂNCIA Parte I - Voz Falada


Antes de entrar no tema propriamente dito, gostaria de relembrar que todo o processo do funcionamento da voz, foi dividido em etapas aqui no Blog para facilitar o aprendizado. RESPIRAÇÃO, FONAÇÃO, RESSONÂNCIA E ARTICULAÇÃO, são os sistemas que fazem parte do aparelho fonador e que funcionam interligados!


O que é R E S S O N Â N C I A?

Devido à fraca intensidade do som laríngeo e a falta de semelhança com os sons consonantais e vocálicos da nossa língua (Leia mais: Produção da voz) , torna-se necessária uma modificação e amplificação desse som. Estas modificações do som ocorre por todo o caminho do trato vocal, passando por estruturas que formam obstáculos ou aberturas, até atingir a saída para o ambiente, pela boca e/ou nariz, este processo é denominado ressonância.

As cavidades de ressonância quando ajustadas, funcionam como um auto-falante natural... Há comparação entre ressonância e uma “caixa acústica” da voz, ou seja,  essas estruturas ou cavidades (pulmões, laringe, faringe, boca, nariz e seios paranasais) propiciam a reverberação do som, fazendo com que este seja modificado e/ou amplificado.

A cor da voz depende da disposição das cavidades de ressonância que possuem características anatômicas individuais, em resumo, podemos reconhecer uma pessoa sobretudo devido a características singulares das suas cavidades de ressonância. Esse é um dos fatores que justificam o fato de que a voz pode ser comparada a uma digital, ninguém possui a mesma, pode ser semelhante, mas igual... jamais!

Focos de RESSONÂNCIA na VOZ FALADA


Os focos de ressonância na voz falada são: nasal, oral e laringo-faríngeo. O ideal é que haja um equilíbrio entre os 3 focos, quando a predominância  ou a ausência de qualquer um deles, o resultado pode ser de uma voz inaceitável socialmente.


Exemplos:
Quando uma pessoa está resfriada, outra ao ouvir sua voz diz: "Você está falando pelo nariz!"
Na verdade, o que está acontecendo é exatamente ao contrário. Se a cavidade nasal está obstruída, o som não é capaz de passar por ela, ou seja, o som está sendo amplificado apenas pelas cavidades oral e laringo-faríngea. Então, todos os sons (fonemas) nasais (m, n, nh, ão, em, en) estarão modificados. Ao invés de mamãe, o indivíduo pronunciará babãe, por exemplo.

Uma pessoa que ao falar, passa aos ouvintes a sensação de estar com a voz estrangulada e que o esforço para falar é muito maior que o normal...
É provável que o foco predominante desse indivíduo seja o  laríngo-faríngeo.

Ao contrário, temos aquelas pessoas que literalmente "falam pelo nariz"! É uma característica encontrada também em alguns homossexuais...
Nesse caso o foco predominante é o nasal.
Abaixo segue o link de uma atriz que é conhecida por sua voz anasalada:
Fran Drescher

Quando há um desequilíbrio entre os focos de ressonância, o ideal é procurar um Fonoaudiólogo, que fará uma entrevista e uma avaliação completa para descobrir a causa de tal desequilíbrio e planejará juntamente com o paciente, as medidas a serem tomadas para a melhora do padrão vocal.



             FIQUE DE OLHO

No próximo post:
Ressonância na VOZ CANTADA.




terça-feira, 22 de dezembro de 2009

RESPIRAÇÃO Parte II - Voz Cantada


Antes de entrar no tema propriamente dito, faz-se necessário esclarecer algumas questões sobre a Voz Cantada.


A Voz Cantada exige uma atividade muscular permanente e apta para várias situações. A arte do canto requer a perfeição do aparelho fonador, ou seja, o estado de normalidade é indispensável, afinal não podemos submeter nosso órgão vocal a tamanho esforço sem verificar suas condições anatômicas e fisiológicas; sem antes treiná-lo e prepará-lo. O esforço que utilizado para o canto é maior que do que para a fala. A apropriação da técnica de canto tem por objetivo, desenvolver a voz natural do aluno e o cantor que não possuir essa técnica, poderá utilizar mecanismos compensatórios, predispondo uma fadiga no aparelho fonador e até mesmo alterações significativas em nível de timbre.
O conhecimento e a atualização sobre as técnicas vocais existentes permite um rendimento máximo e longevidade da voz, sendo tal conhecimento um pré-requisito importante para a atuação fonoaudiológica preventiva e clínica.

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Respiração na Voz Cantada


A compreensão sobre o mecanismo respiratório e sua importância no processo fonatório, pode auxiliar no desenvolvimento da resistência vocal e coordenação pneumofônica direcionadas ao canto.

O diafragma desempenha papel muito importante na respiração, pois na fase ativa do ciclo respiratório ele se retifica à medida que o ar entra nos pulmões, porém a idéia de se cantar ou respirar pelo diafragma além de equivocada estava difundida entre professores de canto, atualmente algumas pessoas acreditam que para cantar deve-se “respirar pelo diafragma” .



A respiração para a voz cantada é diferente da voz falada, porque o cantor precisa aprender a regular constantemente o gasto de ar de acordo com a intensidade, a altura tonal, o timbre, a extensão e a duração da frase a ser cantada.

Assim como para outros profissionais, é importante que os cantores sejam submetidos a treinamento de controle dos músculos respiratórios durante a expiração, pois quanto mais longa a frase e a restrição quanto ao número de inspirações, maior o controle e responsabilidade desses músculos. É necessário também um treinamento para ampliação da capacidade de inspiração visto que muitas vezes precisa-se de maior quantidade de ar para falar e cantar.

Considera-se importante e superior a respiração nasal, pelo fato do ar ser purificado, aquecido e umedecido, porém a respiração bucal além de mais rápida, consegue direcionar uma quantidade maior de ar para os pulmões em um tempo muito mais curto, devido ao trajeto percorrido ser menor e a porta de entrada maior.
Portanto, no canto ou mesmo em conversas, é impraticável a respiração unicamente nasal, sendo esta utilizada durante as pausas longas.


Ainda há uma discussão sobre o melhor tipo respiratório para o canto, porém, atualmente não há a valorização deste critério como antigamente, pois as escolas de canto têm priorizado a coordenação entre a respiração e a produção da voz, essa coordenação ou controle é popularmente conhecido como APOIO.

Outra questão discutida é em relação à orientação que o aluno recebe para não mover os ombros durante a respiração...
Durante a inspiração se os ombros forem elevados, o limite da caixa torácica será liberado parcialmente, propiciando uma entrada de ar mais rápida, portanto no canto essa manobra pode ser utilizada em situações de exigência de grande fluxo de ar, como em dinâmicas que tenham muita intensidade.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

RESPIRAÇÃO Parte I - Voz Falada




Gosto de comparar a respiração com a gasolina de um veículo. O combustível adulterado traz inúmeras consequências ao desempenho do carro, que por sua vez pode até "andar"... Mas com o passar do tempo o rendimento diminui. Diferente dos benefícios que a gasolina aditivada traz ao carro.
Com a respiração é a mesma coisa, se o indivíduo não possui uma respiração adequada, você até consegue falar, cantar... Mas o desempenho nunca será o mesmo, comparado a uma respiração correta.


Respiração na Voz Falada


O ar é o combustível energético da fonação essencial à produção da voz. Sem ele é impossível ativar a vibração das pregas vocais, fato que pode ser comprovado com a oclusão de boca e nariz simultaneamente e tentativa de emitir algum som. Para produção dos sons da fala, a respiração é natural e os ciclos respiratórios variam de acordo com tamanho da frase e a emoção empregada na mesma, sendo que a inspiração é lenta e nasal em pausas longas, ao passo que rápida e bucal nas pausas curtas, a movimentação pulmonar é pequena com pouca expansão da caixa torácica.

A respiração é dividida em dois processos: um físico-químico, responsável pela troca gasosa e um mecânico, responsável por gerar a pressão de entrada e saída de ar dos pulmões pela traquéia, laringe, faringe e cavidades nasal e oral.

O ciclo respiratório divide-se em inspiração e expiração. O grau de movimento e a força respiratória modificam a partir da demanda respiratória. Dentro da produção vocal o ciclo respiratório altera conforme a comunicação, quanto mais variações de intensidade e entonação, maior a exigência da resistência vocal, que está diretamente ligada à respiração quanto à capacidade vital.


O ar entra passivamente porque a pressão nos pulmões está negativa em relação à pressão do ar no ambiente exterior, assim, não há necessidade de esforço para puxar o ar para dentro. A expiração também ocorre por diferença de pressão intratorácica, mas é ativa em relação à inspiração, ou seja, o ar é naturalmente expelido por causa do relaxamento da musculatura respiratória, uma vez que a pressão nos pulmões é maior do que a pressão atmosférica.

Recebe o nome de coordenação pneumofônica o controle de saída de ar durante a fonação, a correta coordenação pneumofônica não utiliza o ar reserva, evitando a hiperfunção e desequilíbrio dos músculos vocais. O músculo diafragma desempenha um papel importante na projeção da voz pois regula o sopro fonatório no momento da produção vocal propriamente dita.

Na respiração silenciosa o ar deve entrar pelo nariz para que seja filtrado, aquecido e umidificado, chegando aos pulmões em melhores condições. Durante a fala porém, a respiração é feita de modo buconasal, ou seja, o ar entra pela boca durante a fala e apenas em pausas mais longas a inspiração é feita exclusivamente pelo nariz.